Francisco, em pouco tempo conseguiste dececionar a todos!
Deceção convertida, primeiro, em ressentimentos escondidos e, agora, em ataques à vista de todos!
Alguns Cardeais que te elegeram estão agora arrependidos e dececionados. Pensaram e acreditaram que tu serias um homem bom, de "transição", "diplomata", incapaz de "levantar ondas" nesta Igreja mascarada e ainda tão desviada do sonho de Jesus de Nazaré!
Queriam um tempo de falsa serenidade diante dos escândalos que avassalam a Igreja; desejavam na teimosia de uma falsa unidade e de uma mentirosa santidade!
Nunca imaginaram que tu tivesses a intenção e a ousadia de reformar a Cúria Romana, de eliminar os seus privilégios e de condenar abertamente as mundanidades e vaidades dos denominados "Príncipes da Igreja"!
A tua postura, os teus gestos, o teu estilo de vida, marcado sempre pela humildade e pela simplicidade, é uma afronta a tantas eminências e prelados pomposos, faraónicos, cheios de si mesmos e encerrado se escondidos debaixo das suas mitras!
Dececionaste-os com a tua simplicidade, o teu sorriso, a tua proximidade e o teu abraço aos mais pobres e fracos deste tempo. Eles que teimam em privilégios, honras e mordomias!
Os Bispos de "carreira", também eles estão dececionados e desiludidos! Esses tantos que vivem longe do povo, instalados nos seus palácios episcopais, alheios à vida das suas ovelhas, que buscam mais e mais prestígio e glórias do mundo, sentem-se ameaçados! Tu convida-los a serem "pastores com cheiro a ovelhas"... que horror!!! Que deceção!!!
Quantos Padres também eles desiludidos contigo, Francisco!
Sentem-se "estrangeiros" na Igreja! Criados e formados para o estrito cumprimento de ritos, preceitos, regras e doutrina, agora não sabem como fazer e como viver ao ver-te rasgar horizontes, a construir pontes, a semear diálogo...
Sempre viveram na convicção de que eram mais importantes e "valiosos" que as outras pessoas e agora vens tu, Francisco, desafiá-las a baixar-se, a colocarem-se ao serviço dos outros, dos pobres, dos "últimos".
Que horror e que desilusão!
Desiludidos estão também muitos leigos que viviam a fé e a pertença à Igreja como forma de autopromoção e como caminho de pseudo-superioridade. Sentem-se perdidos porque os chamas à missão, eles que estão acomodados às vénias e aos "améns" eclesiásticos como forma de se evidenciarem e daí tirarem dividendos!
Felizes, alegres, esperançados, estão os pobres, os humildes, os desesperados, aqueles que choram, os sem teto e sem pão, sem trabalho nem dignidade.
Felizes e alegres estão esses tantos que foram ostracizados, silenciados, marginalizados, pelo rigorismo religioso e eclesiástico, pelos que são apóstolos mais do Direito Canónico que do Evangelho de Cristo.
Acreditam agora que também eles têm lugar no coração de Deus e no seio da Igreja. Creem agora que a fé não é domínio e privilégio de uns quantos mas sim dom a quantos se aventuram e entregam ao amor e à misericórdia.
Que desilusão, Francisco, para os poderes instalados, as mordomias eclesiásticas e as diplomacias clericais!
E que bênção para a liberdade que o Evangelho comporta, a ternura que Deus é, a esperança que pode renascer em cada coração!
Obrigado, Francisco, por desiludires e por seres vez e voz dos "silenciados"...
(Adaptado)